Não foi só um “ataque” a Maria Botelho Moniz e Cristina Ferreira
Escrito por Inês Ferreira em Abril 4, 2023
“Uma mulher deve ser quem e o que quiser”. Não o que TU queres!
“Uma mulher simpática mas robusta, com tendência para aumentar de peso e raramente usando roupa adequada às suas características.” É desta forma que o antigo jornalista Alexandre Pais descreve Maria Botelho Moniz numa crónica publicada no Correio da Manhã, intitulada “A imagem é tudo”.
Não Alexandre, a imagem não é tudo! Enfatizar que devemos ser magros para sermos perfeitos e aceites socialmente? NÃO! Isto não pode acontecer… não hoje, não ontem, não nunca.
Assustador como o ser humano está há milhares de anos na terra, mas ainda precisamos de discutir conceitos tão básicos como o respeito e educação.
Isto não foi só um ataque a Maria Botelho Moniz ou a Cristina Ferreira, foi um ataque puro a todas as “Marias”, “Cristinas”, a todas as mulheres. Injusto colocar a inteligência e o talento de alguém em causa devido ao seu corpo. Estaremos em 2023?
Vivemos numa cultura tóxica, onde os padrões de beleza e a busca pela perfeição estão cada vez mais vinculados. Esta ditadura da imagem, muito influenciada pela era dos social media.
Precisamos de diversidade nos exemplos que nos rodeiam! É por isso fundamental existirem personalidades que tentem quebrar esta ideia de “perfeição”. Personalidades que podem usar o seu alcance e “palco” para dizer “basta”. Basta ser exigido um determinado padrão físico, sermos comparadas umas às outras, ser o nosso talento ou competências colocados em causa porque o MEU corpo não é o ideal para “ti”.
“Não me calarei sempre que o sinta um tema geral da sociedade e que me agrida não só a mim mas às mulheres em geral” – Cristina Ferreira
Muitas foram aqueles que se juntaram às vozes críticas do artigo de opinião. E para eles um “Obrigado”.
Body-shaming?
Body-shaming. Em português a tradução seria algo como envergonhar uma pessoa quanto ao seu corpo. Uma vergonha que resulta de comentários alheios, ofensivos, conscientes ou inconscientes, que provocam danos a quem os escuta.
Foi exatamente isto que Alexandre Pais decidiu fazer. A razão por que o fez? Não sei. Sabemos sim, que usou o nome de duas figuras públicas portuguesas para provocar e ofender. Não conheço a Maria ou a Cristina, não sei de que forma o texto as afetou, mas sei que “a alguém” aquilo afetou.
O autor da crónica, nunca se referiu aos homens apresentadores. Engraçado, não é? De graça pouco tem.
Numa altura que tanto de fala de saúde mental e igualdade…em que caminho estamos a levar a nossa sociedade?