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IPA: “Não voltemos aos fantasmas do passado!”

Written by on 21 de Maio, 2022

A Associação para a Promoção de Igualdade (IPA) lamenta que Monkeypox tenha sido correlacionada com comunidade homossexual.

Na passada quarta-feira, dia 18, depois de surgirem os primeiros casos de Monkeypox, conhecida como ‘Varíola dos macacos’, Vitor Duque, presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia e diretor do Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra afirmou que esta “pode ser o início de mais uma epidemia entre os homossexuais ou alastrada a toda a população”.

No seguimento das declarações prestadas à CNN Portugal, a doença foi correlacionada com a comunidade homossexual, o que levou a IPA a divulgar um comunicado, onde lamenta a situação.

Sublinhando que tais afirmações “não foram proferidas por um desconhecedor em virologia, nem por um comentador utilizando o senso comum”, a IPA destaca que esta correlação tem sido “utilizada como arremesso à comunidade LGBT+”.

A IPA defende ainda que é “totalmente precoce proferir qualquer tipo de declarações que incentivem o atual estado de alarmismo e venham correlacionar um determinado grupo social, neste caso tendo em conta a sua orientação sexual”.

Lê aqui o comunicado na íntegra:

“No passado dia 18 de maio, um dia após celebrarmos o IDAHOBIT (Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia), fomos surpreendides com declarações que correlacionam o surto da apelidada “varíola do macaco” em Portugal com a comunidade homossexual.

Tais declarações não foram proferidas por um desconhecedor em virologia, nem por um comentador utilizando o senso comum, foram sim declarações proferidas pelo Presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia e seguidas por um responsável do Grupo de Ativista em Tratamento (GAT).

Esta correlação tem sido nas últimas horas utilizada como arremesso à comunidade LGBT+ e tem fundamentado novos ataques de ódio à mesma comunidade, relembrando fantasmas do passado, em que havia por parte da comunidade medico-cientifica e por parte da sociedade a criação da ideia de que o HIV e a SIDA eram “doenças gays”. A história mostrou exatamente o contrário e os números falam por si.

Aquilo que se sabe ao dia de hoje acerca do vírus da “varíola do macaco” é muito pouco, principalmente quanto à sua transmissão entre humanos. Mas o que se pode ler no Manual MSD na versão para Profissionais de Saúde é que “a transmissão de um indivíduo para outro ocorre de modo ineficaz e acredita-se que ocorra principalmente por meio de grandes gotículas respiratórias via contato direto e pessoal prolongado. A taxa geral de ataque secundário depois do contato com uma fonte humana conhecida é de 3%, e taxas de ataque de até 50% foram relatadas em pessoas que vivem com uma pessoa infectada pela varíola do macaco”.

Sabe-se através do mesmo documento que existe desde 2019 uma vacina aprovada pela FDA e que a mesma apresenta “pelo menos 85% eficaz na prevenção da varíola símia”.

Num momento em que ainda está em curso a investigação do vírus e da sua forma de transmissão é totalmente precoce proferir qualquer tipo de declarações que incentivem o atual estado de alarmismo e venham correlacionar um determinado grupo social, neste caso tendo em conta a sua orientação sexual, incentivando, com estas, uma crescente onda de crimes de ódio.

Neste sentido a IPA – Associação para a Promoção da Igualdade vem por este meio repudiar tais declarações e apelar à DGS – Direção Geral de Saúde, ao Instituto Ricardo Jorge e ao Ministério da Saúde, em particular, uma postura de seriedade e a prática de uma comunicação esclarecedora e rigorosa que não comprometa a segurança da comunidade LGBT+ nem venha a fomentar que voltemos ao passado e aos seus fantasmas.”


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