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‘Task-Force’ quer “estrutura permanente” de apoio ao Governo

Written by on 31 de Janeiro, 2022

A ‘taske-force’ sugeriu a criação de uma estrutura permanente, independente e com financiamento próprio.

Margarida Gaspar de Matos, coordenadora ‘task-force’ das ciências comportamentais e psicóloga clínica, disse à Lusa que esta será uma das propostas do relatório final que será estregue esta segunda-feira, dia 31, ao Governo.

“Em Portugal não há estruturas deste género permanentes, mas elas existem noutros países e nós entrevistámos os diretores para perceber qual a melhor forma de criar este centro de ciências do comportamento, com independência científica e não política, que esteja ligada ao Governo e possa, com algum peso de decisão, aconselhar, na linha do fizemos com a ´task-force'”, disse à Lusa a especialista.

Para exemplificar, a responsável destacou o que acontece na com os irlandeses e ingleses, em que os seus governos têm o apoio de estruturas permanentes no apoio científico à tomada de decisões.

Sobre o trabalho realizado por parte da ‘task-force’, Margarida Matos sublinhou que foi desafiante e que seis especialistas do grupo reuniam sempre via zoom.

“Nós organizámo-nos por grupos de trabalho. Um deles, o da comunicação, esteve mais dedicado a ver os materiais e as mensagens visuais que se passavam, enquanto outro coligia dados de universidades que faziam investigação. Estes eram grupos de trabalho de ‘sprint’. O outro era mais de maratona e fazia a revisão da literatura que se publicava, em Portugal e no estrangeiro”, explicou.

Margarida Gaspar de Matos esclareceu ainda que estes eram os mesmos profissionais que faziam recomendações ao Governo sobre as informações a passar ao país.

De acordo com a responsável, houve alturas mais complicadas, nomeadamente quando surgiu a variante Delta. “Recomendávamos todas as semanas. Mas depois os políticos é que decidiam”, disse.

Ainda assim, psicóloga clínica explica que muitas vezes foi necessário fazer um “alerta vermelho” para que as pessoas não se baralhassem.

Apesar de não ter sido possível fazer investigações em terreno, Margarida Gaspar de Matos que tal seria possível se houvesse uma estrutura permanente.

“Por vezes poderíamos testar com grupo de pessoas e ver logo que tipo de mensagem resultava melhor. Mas não conseguimos, pois estivemos sempre a trabalhar em estado de emergência. Não dava para muitas investigações de campo”, afirmou.

De acordo com a especialista, esta estrutura permanente é fundamental, tendo em consta que o trabalho das ciências comportamentais durante o período mais crítico da pandemia era formado por pessoas que trabalhavam à distância e ‘pro bono’.

“Qualquer euro que tivéssemos de gastar, era mais prático oferecer ao país, pois de outra forma as coisas não aconteciam”, reconheceu, fazendo referência à importância de criar uma estrutura permanente, com um coordenador que escolha equipa e com uma alocação financeira.

“Tem de ter poder de decisão, conseguir vencer a imensa burocracia que temos e precisa de alocação financeira. É difícil conseguir este equilíbrio, mas tem de ser”, disse, acrescentando que “o país lucrava se conseguíssemos fazer valer este centro e com a maior rapidez”.

A responsável destacou ainda que devia haver “uma mensagem muito clara sobretudo sobre a vacinação das crianças”, uma vez que as posições contrárias que vão surgindo dão uma má imagem da ciência.

“Se temos um método científico, não é possível fazer o mesmo e de cada vez temos um resultado diferente. Não pode ser assim … uns enviesam para um lado, outros para outro e o ruído é patológico. E dá uma má imagem da ciência”, afirmou


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