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Sobre a saída de 400 médicos do SNS desde maio, Temido diz que clínicos têm de ser mais resilientes

Written by on 25 de Novembro, 2021

O Bastonário da Ordem dos Médicos e do Sindicato Independente dos Médicos consideraram as declarações da Ministra da Saúde uma “ofensa”.

Esta quarta-feira, dia 24, Marta Temido, ministra da Saúde, disse que a solução para resolver o problema da falta de profissionais passa por contratar clínicos mais resilientes.

Note-se que desde maio, 400 profissionais abandonaram o SNS, avançou a CNN Portugal. Antes disso, os profissionais estavam impedidos por um decreto-lei, devido à pandemia.

Na Assembleia da República, Marta Temido disse que “todos nós como sociedade pensemos nas expectativas e na seleção destes profissionais porque, por ventura, outros aspetos como a resiliência são aspetos tão importantes como a sua competência técnica”.

“Estas são profissões que exigem uma grande capacidade de resistência, de enfrentar a pressão e o desgaste e temos que investir nisso”, acrescentou na mesma sessão, realizada à margem da situação que se vive no Centro Hospitalar de Setúbal e da falta de médicos no SNS.

O Bastonário da Ordem dos Médicos, em declarações à CNN Portugal, considerou as declarações da ministra como “uma ofensa” à profissão, sublinhando que a justificação dada pela responsável para a saída dos profissionais do SNS é “uma situação que é, de facto, grave”.

“Quer implementar uma escravatura médica, como nos países onde não há democracia?”, questionou, de forma irónica, o responsável.

Sobre a possibilidade dos médicos pedirem a demissão de Marta Temido, Miguel Guimarães esclarece-se que os profissionais “vão sair do Serviço Nacional de Saúde”.

“É importante que os portugueses saibam que os médicos saem do SNS porque não estão a ser bem tratados”, destacou.

Por sua vez, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) respondeu classificou as palavras de Marta como uma “imperdoável ofensa” aos médicos.

“Afirmar que têm de ser contratados médicos mais resilientes é uma imperdoável ofensa que os médicos portugueses, exaustos por centenas de horas extraordinárias (já agora, sendo obrigatórias… em exemplo não reproduzível em toda a administração pública) não mais perdoarão e esquecerão”, pode ler-se na nota do SIM.

De acordo com o SIM, as declarações da ministra “ultrapassaram qualquer linha vermelha que pudesse ter sido traçada”.

Fotografia: Manuel de Almeida – Lusa


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