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Fomos fazer a visita guiada ao Museu do Ciclismo Joaquim Agostinho

Written by on 29 de Agosto, 2021

Estivemos à conversa com Rita Agostinho, neta do ciclista.

No passado dia 5 de agosto foi inaugurado o museu dedicado àquele que é considerado o melhor ciclista português de sempre. O Museu do Ciclismo Joaquim Agostinho, em Torres Vedras, “assume-se como um elemento de preservação da memória do ciclista torriense Joaquim Agostinho e de promoção do ciclismo enquanto prática desportiva e social” e durante o mês de agosto teve entrada gratuita.

A ONFM esteve hoje, 29 de agosto, na última visita guiada do mês, sob a orientação de Rita Agostinho, neta do ciclista torriense.

Eram 16h em ponto quando um grupo de cerca de 15 pessoas começou a visita guiada. Rita Agostinho começou por contar a história do novo espaço cultural, localizado no Bairro Arenes, no edifício que chegou a albergar o antigo refeitório da Casa Hipólito.

Subimos ao primeiro andar do edifício e é feita uma breve explicação do que é o ciclismo “para quem não é expert na modalidade”. Por exemplo, sabe quem está nos carros que vão antes e depois do pelotão?

A visita continuou com a exibição de um vídeo que resume em poucos minutos a história de Joaquim Agostinho. “O par perfeito” é o nome do vídeo no qual o ciclista é recordado pela sua “humildade, alegria e ligação à terra”.

Na sala redonda onde o vídeo é exibido, está uma réplica em grande escala da roda da última bicicleta de Joaquim Agostinho.

EXPOSIÇÃO PERMANENTE E EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA

A exposição “53:11 Esforço e Glória. Joaquim Agostinho e uma Volta à História em Bicicleta” convoca a um olhar pela história do ciclismo internacional e nacional, destacando a evolução da bicicleta, das modalidades que compõem esta prática desportiva, os seus atletas e as memórias de todos os que acompanham o fervor das competições a pedais.

É nesta exposição, por exemplo, que conhecemos a história de Oceana Zarco, a primeira mulher ciclista federada em Portugal que tinha de se vestir de homem para poder participar nas provas.

Esta exposição permanente tem ainda um núcleo dedicado ao percurso de vida e desportivo de Joaquim Agostinho, destacando as suas diversas vitórias, aventuras e memórias. 

A camisola amarela que o ciclista torriense usava na X Volta ao Algarve, quando teve o acidente que o deixou em coma, está aqui exposta. Dez dias depois acabou por falecer, a 10 de maio de 1984.

Rita Agostinho revelou aos visitantes que a Exposição Permanente pretende ter rotatividade dos objetos, pelo que “será sempre um museu diferente da próxima vez que for visitado”.

“Um Outro lado da Bicicleta” foi a exposição temporária que encontrámos. Fomos apresentados a um ScreenX, um ecrã que se situa não só na parte frontal da sala, como nas paredes laterais, levando a que o espectador fique totalmente imersivo no vídeo.

Aqui é abordada a importância da bicicleta a partir da segunda metade do século XIX. É feita uma retrospetiva aos usos da bicicleta: as profissões em bicicleta, a deslocação para as fábricas, o uso militar, a ligação aos movimentos de emancipação feminina, a ligação às novas formas de vivenciar as cidades, o desporto amador e os amores e poesias.

ENTREVSITA RITA AGOSTINHO

P. Como tem sido esta experiência de mostrar aos outros quem foi Joaquim Agostinho, quem foi o teu avô?

Tem sido muito gratificante acima de tudo, pelo facto de poder prestar homenagem desta forma. Estar em contacto com ele de alguma forma e poder mostrar às pessoas quem ele foi e a marca que deixou. Espero que ele possa servir de inspiração para novas gerações.

P. Tu não conheceste o teu avô pessoalmente mas conheceste-o certamente através de histórias que te contavam dele, como descreves o teu avô?

Sempre quis ter esta ligação com pessoas que o conheceram, precisamente para o poder conhecer de alguma maneira. Tenho também muita sorte de ter vídeos, de conhecer a voz dele através desses vídeos, de saber como ele era em arquivos de televisão e de revistas. Daquilo que eu apreendi, era uma pessoa que acima de tudo era humana e respeitava o próximo. Independentemente de ter corrido com grandes corredores, ele tinha sempre um grande respeito e admiração por todos e acho que foi isso que ficou nos valores de família que ele deixou presente até hoje.

P. Como recebeste o convite para realizar estas visitas? Sentiste a responsabilidade?

O convite partiu do nosso eterno presidente Carlos Bernardes. Ele sabia que eu era psicóloga de formação e convidou-me para fazer o serviço educativo do museu. Claro que havia sempre aqui a simbiose do facto de eu ser neta e não só pelo facto da minha formação. Na altura, ele até me deu tempo para pensar mas eu aceitei de imediato porque esta oportunidade não me ia passar na vida duas vezes, não podia perder a oportunidade de lhe prestar esta homenagem.

P. Como tem sido a afluência às visitas guiadas?

Tem sido excelente! Superou as minha expectativas. Eu sabia que ia ser um museu que ia chamar muitas pessoas e que os visitantes tinham alguma curiosidade em ver alguns objetos não só em relação ao Joaquim Agostinho mas em relação ao ciclismo em geral, mas superou as expectativas que eu tinha porque temos tido mesmo muito afluência!

Rita Agostinho vai continuar ligada ao museu como responsável pelo serviço educativo, ou seja, responsável por todas as atividades com as escolas, seniores ou com pessoas com necessidades educativas especiais.

A neta do ciclista torriense deixou ainda o convite para todos visitarem o museu “mesmo àqueles que não são tão ligadas à modalidade, porque serve, acima de tudo, de inspiração”.

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