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Portugal suspende uso de vacinas da AstraZeneca. “Se foi vacinado, mantenha-se tranquilo”

Written by on 16 de Março, 2021

As autoridades de saúde portuguesas decidiram ontem suspender o uso da vacina da AstraZeneca contra a covid-19 por “precaução”.

A decisão foi anunciada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pela autoridade do medicamento (Infarmed) e surge após vários países europeus também já terem suspendido a administração desta vacina devido a relatos de aparecimento de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas.

“A DGS e o Infarmed recomendaram hoje a interrupção temporária da administração da vacina da AstraZeneca, tendo por base o princípio de precaução em saúde publica”, afirmou o presidente do Infarmed, Rui Ivo, numa conferência de imprensa conjunta, na qual esteve também presente o coordenador da ‘task force’ para a vacinação contra a covid-19, Henrique Gouveia e Melo, e a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

ATRASO NA VACINAÇÃO

O processo de vacinação contra a covid-19 vai sofrer um atraso de duas semanas devido à suspensão temporária da administração da vacina da AstraZeneca, reconheceu hoje o coordenador da ‘task force’ do plano de vacinação.

“O processo de vacinação fica ligeiramente atrasado, porque saiu da panóplia de vacinas que estávamos a usar uma quantidade substantiva de vacinas que era a da AstraZeneca. Portanto, o processo vai adiar cerca de duas semanas”, disse o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, sem deixar de apontar a conclusão da primeira fase para o próximo mês: “O prazo era meados de abril, nunca dissemos exatamente em que semana de abril”.

Relativamente à população a que estavam destinadas as doses da vacina desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca e pela Universidade de Oxford, Henrique Gouveia e Melo referiu que os professores eram um dos grupos previstos para este fim de semana e que esse processo será adiado, mas assegurou que os utentes com mais de 50 anos com comorbilidades não deixarão de ser vacinados com as doses disponíveis das outras vacinas autorizadas.

Questionada sobre a administração da segunda dose da vacina a quem já recebeu a primeira nos últimos dias, Graça Freitas garantiu que não há “pessoas nestas condições neste momento” e adiantou que esta vacina “tem muitas semanas de intervalo” entre doses.

Espanha, Itália, Alemanha, França, Noruega, Áustria, Estónia, Lituânia, Letónia, Luxemburgo e Dinamarca, além de outros países, incluindo fora da Europa, já interromperam por “precaução” o uso da vacina da AstraZeneca.

VACINADOS EM PORTUGAL SEM REAÇÕES ADVERSAS

A diretora-geral da Saúde apelou hoje para a tranquilidade das pessoas que receberam a vacina da AstraZeneca e garantiu que não foram reportadas em Portugal reações adversas como as identificadas em outros países.

“Se foi vacinado, mantenha-se tranquilo. Estas reações são extremamente raras e no nosso país não foram reportados fenómenos semelhantes aos encontrados nos outros países”, afirmou Graça Freitas, numa conferência de imprensa conjunta com a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) e com a `task force´ do plano de vacinação.

Dirigindo-se às pessoas que já receberam a vacina da AstraZeneca em Portugal, Graça Freitas apelou ainda para que se mantenham atentas a sintomas de mau estar durante alguns dias.

Sobretudo, se este mau estar for acompanhado de nódoas negras ou hemorragias cutâneas, não hesite e consulte um médico”, salientou Graça Freitas, ao assegurar que o Ministério da Saúde e o Infarmed “mantêm toda a confiança na vacinação contra a covid-19” e apelam a todos para que continuem a vacinar-se de acordo com o calendário previsto.

Já foram administradas em Portugal cerca de 400 mil vacinas da AstraZeneca e vão ficar agora em armazém cerca de 200 mil doses.

A interrupção temporária da vacina da AstraZeneca é “para dar segurança às pessoas”, assegurou a diretora-geral da Saúde, ao apelar para que os portugueses “mantenham a confiança nas instituições”.

Além da AstraZeneca, Portugal está a administrar atualmente outras duas vacinas das farmacêuticas Moderna e Pfizer, devendo receber, no próximo mês, as primeiras doses da vacina de toma única da Janssen, do grupo Johnson & Johnson.

O ministério da Saúde anunciou que Portugal vai comprar mais de 22 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, no âmbito dos acordos entre seis farmacêuticas e a União Europeia, o que representa um investimento de cerca de 200 milhões de euros.


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