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Ministério Público de Leiria acusa três médicos de homicídio por negligência

Written by on 15 de Fevereiro, 2021

O Ministério Público (MP) de Leiria anunciou, esta segunda-feira, que elaborou uma acusação contra três médicos do Centro Hospitalar de São Francisco depois da morte de um utente de 33 anos.

O MP, na página da Procuradoria da República da Comarca de Leiria, dá a conhecer que no dia 19 de julho de 2017, a vítima de 33 anos, deslocou-se ao Serviço de Radiologia do Centro Hospitalar de São Francisco, em Leiria, para a realização de uma Angio TAC Cardíaca.

O MP refere que depois da administração do contraste iodado, para ser possível fazer o exame, este perdeu a consciência e entrou em paragem respiratória.

Segundo a mesma acusação refere, durante a realização de manobras de reanimação por dois médicos, “estes não determinaram a administração de adrenalina à vítima, o que poderia ter revertido o seu quadro e possibilitado o desenvolvimento de ritmo cardíaco passível de cardioversão”.

Apesar de a terceira arguida, médica, ter ordenado a administração de adrenalina ao doente, “perante a não reação da doente à dose administrada, deveria ter determinado a sua aplicação em dose superior, o que não fez”.

A vítima acabou por não recuperar o ritmo cardíaco passível de cardioversão, tendo ficado com encefalopatia anóxica, que foi irreversível, acrescenta a nota do MP.

A vítima acabou por ser transportada para o Hospital de Santo André, em Leiria, “sem que os arguidos a tenham acompanhado, pelo que, em consequência de tal omissão, o suporte avançado de vida foi interrompido, passando a suporte básico de vida e, por conseguinte, não foi administrado soro, nem adrenalina de cinco em cinco minutos, tal como deveria”, o que levou a vítima a entrar “em paragem cardiorrespiratória”.

O MP refere ainda que ainda no Hospital de Santo André, na sequência das operações de reanimação, a vítima recuperou o pulso. Manteve-se nesse hospital até 18 de agosto de 2017, dia em que foi transferido para o Hospital Distrital de Santarém, onde faleceu, no dia 06 de dezembro de 2017, sem nunca ter recuperado a consciência.

De acordo como MP, “embora pudessem e devessem ter procedido à administração de adrenalina no tempo e nas doses que se impunham, bem como ter acompanhado a vítima no transporte para o Hospital de Santo André, o que era correspondente à boa prática clínica, os arguidos não tomaram tais medidas, confiantes de que o resultado morte se não produziria, tendo sido a inobservância dessas práticas clínicas que aumentou o risco de produção da morte da doente, o que se veio a verificar”.

Fonte: Agência Lusa / Fotografia: Jornaldeleiria.pt


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